Carlos Cidade falou sobre as políticas da autarquia para as novas exigências ambientais

O vereador do Ambiente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Carlos Cidade, participou, esta tarde, na conferência “Os municípios e as questões ambientais do século XXI”, que decorreu na Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC) e foi promovido pela Núcleo de Ambiente da Associação de Estudantes da ESAC. Carlos Cidade deu a conhecer à plateia algumas das políticas desenvolvidas pela CMC para dar resposta às novas exigências ambientais, referindo exemplos como a aquisição de veículos elétricos para recolha seletiva de resíduos no centro histórico, o programa de recuperação e aumento do espaços verdes da cidade, o projeto de reabilitação dos habitats de peixes diádromos na bacia hidrográfica do Mondego, e o desassoreamento do rio, uma intervenção de enorme importância para a cidade, que este executivo municipal desbloqueou junto do Governo.

“A Câmara Municipal de Coimbra (…) está desenvolver, através de uma governação consciente, um conjunto de políticas públicas e programas que integram as orientações internacionais e nacionais, para responder às novas exigências ambientais deste século, e das quais daremos alguns exemplos”, começou por afirmar o vereador do Ambiente, agradecendo o convite da organização para estar presente na conferência, que, da parte da tarde, teve ainda como oradoras, a bióloga e ex-vereadora da Câmara Municipal de Pombal, Paula Silva, e a responsável da Câmara Municipal de Águeda, Célia Laranjeira.

Entre os exemplos escolhidos pelo vereador do Ambiente da CMC esteve a importância de caminharmos para uma “sociedade de baixo carbono, que diminua a sua dependência dos combustíveis fósseis através do recurso às energias verdes”. Neste campo, Carlos Cidade referiu que a autarquia “já possuiu dois veículos elétricos para recolha seletiva de resíduos a operarem no centro histórico de Coimbra” e adiantou ainda que já foi apresentada uma nova candidatura para “a aquisição de mais quatro veículos elétricos para recolha de resíduos e limpeza urbana e dois aspiradores de detritos urbanos, também eles elétricos”. Um investimento de 189 mil euros, que considera bem empregue. “Não tenho dúvidas que o caminho vai ser este e só não adquirimos mais veículos por uma questão de financiamento. (…) Os fundos comunitários não são assim tão generosos”, argumentou.

A importância dos espaços verdes urbanos para a constituição de uma rede ecológica de proteção, que promova a manutenção da biodiversidade e o combate às alterações climatéricas foi outros dos assuntos focados pelo vereador do Ambiente da CMC, que adiantou ao público algumas das medidas previstas no plano de recuperação e aumento da área de espaços verdes municipais que a autarquia se encontra a implementar. Carlos Cidade falou da recuperação da Mata do Monte Formoso, do recém-inaugurado Bosquete ribeirinho (que contou com a plantação de 85 árvores, junto ao Campo do Bolão) e das 2030 árvores que foram plantadas desde 2013 até ao final do ano passado, durante a gestão deste executivo municipal. “Foram 2030 árvores plantadas, contra 174 que tivemos de derrubar por motivos justificáveis”, sublinhou.

O projeto de reabilitação dos habitats de peixes diádromos na bacia hidrográfica do Mondego foi outro dos assuntos abordados por Carlos Cidade. Um projeto realizado pela CMC, em parceria com a Universidade de Évora e a Agência Portuguesa do Ambiente, que “permitiu a reabilitação de vários açudes, nomeadamente do açude dos Palheiros e Zorro, através da construção de ‘passagens para peixes’”. Uma importante medida conservacionista para as espécies piscícolas, nomeadamente para a lampreia, o sável e a savelha, cujo projeto foi mesmo galardoado, o ano passado, com o prémio internacional “Distinguished Project in Fisheries Engineering and Ecohydrology”, atribuído em conjunto pela American Society of Civil Engineers (Environmental & Water Institute), e pela American Fisheries Society (Bioengineering Section).

Carlos Cidade falou ainda sobre educação ambiental, redução na produção de resíduos urbanos e aumento da recolha seletiva, mas o tema que mais destacou no final da sua intervenção foi a progressiva importância do papel das autarquias na redução do risco de catástrofes. Um tema que conduziu, obrigatoriamente, ao assunto das cheias do Mondego e que levou o vereador da CMC a salientar a importância da obra que este executivo municipal desbloqueou junto do Governo: o desassoreamento da albufeira do Açude-Ponte de Coimbra. Uma intervenção com um custo superior a quatro milhões de euros, que visa repor o leito do rio ao nível de 1985, ano de construção do Açude-Ponte, estando previsto retirar do rio um volume de 700 mil m3 de areia. A proposta de adjudicação da empreitada, que tem um prazo de execução de 730 dias, foi aprovada, por maioria, na reunião do executivo municipal do passado dia 21 de março.

O vereador do ambiente da CMC finalizou a sua intervenção lembrando que “as políticas ambientais do domínio autárquico não são só responsabilidade da Câmara Municipal”. “O seu sucesso depende da participação de todos, Juntas de Freguesia, cidadãos, setor industrial, agrícola e de serviços, organismos púbicos e organizações privadas. Também é fundamental a ligação do município às instituições de ensino superior e aos seus centros de investigação. O meio académico e científico é um dos principais stakeholders para a definição das melhores estratégias ambientais municipais”, concluiu.